Publicado por R2C em 21/01/2019

Plantas Daninhas do Milho

Plantas Daninhas no Milho: Importância, Manejo e Controle

As plantas daninhas requerem para seu desenvolvimento os mesmos fatores exigidos pela cultura do milho, ou seja, água, luz, nutrientes e espaço físico, estabelecendo um processo competitivo quando cultura e plantas daninhas se desenvolvem conjuntamente. É importante lembrar que os efeitos negativos causados pela presença das plantas daninhas não devem ser atribuídos exclusivamente à competição, mas sim a uma resultante total de pressões ambientais, que podem ser diretas (competição, alelopatia, interferência na colheita e outras) e indiretas (hospedar insetos, doenças e outras). Esse efeito total denomina-se INTERFERÊNCIA.

O grau de interferência imposto pelas plantas daninhas a cultura do milho é determinado pela composição florística (pelas espécies que ocorrem na área e pela distribuição espacial da comunidade infestante) e pelo período de convivência entre as plantas daninhas e a cultura. A competição por nutrientes essenciais é de grande importância, pois esses na maioria das vezes, são limitados. Mesmo o milho sendo eficiente na absorção, não consegue acumular nutrientes como as plantas daninhas fazem em seus tecidos. Em condições de competição, o nitrogênio seria o nutriente de maior limitação entre milho e planta daninha. Assim, a adubação nitrogenada merece especial atenção em condições de alta infestação.

Quando a competição por espaço ocorre, a planta do milho assume uma arquitetura diferente daquela que possui quando cresce livre da presença de outras plantas, mudando o posicionamento de suas folhas, porque o espaço que deveria ocupar já se encontra ocupado por outra planta. É importante ressaltar que qualquer mudança na arquitetura da planta do milho representa sérios prejuízos na produção.

Alelopatia é quando uma planta daninha libera substâncias químicas no meio (solo por exemplo), prejudicando o desenvolvimento de outro, podendo ocorrer inclusive entre indivíduos da mesma espécie. Diversas plantas daninhas possuem capacidade alelopática que reduzem o desenvolvimento do milho, como exemplo o capim-arroz (Echinochloa crusgalli), o capim-colchão (Digitaria horizontalis) e o capim-rabo-de-raposa (Setaria faberil).

O grau de interferência das plantas daninhas pode variar de acordo com as condições climáticas e sistemas de produção. No entanto, as perdas ocasionadas na cultura do milho em função da interferência imposta pelas plantas daninhas têm sido descritas como sendo da ordem de 13,1%, sendo que em casos onde não tenha sido feito nenhum método de controle, esta redução pode chegar a aproximadamente 85%.

# Objetivos do Manejo de Plantas Daninhas

O manejo integrado visa eliminar as plantas daninhas durante o período crítico de competição, que é o período em que a convivência com as plantas daninhas pode causar danos irreversíveis à cultura, prejudicando o rendimento. Outro importante aspecto é dar condições para que a colheita mecanizada tenha a máxima eficiência, e evitar a proliferação de plantas daninhas, garantindo-se a produção de milho nas safras seguintes. Portanto ao usar algum método de controle de plantas daninhas na cultura do milho, o produtor deve lembrar-se que os principais objetivos são:

a) Evitar perdas devido à competição;

b) Beneficiar as condições de colheita;

c) Evitar o aumento da infestação; e

d) Proteger o ambiente.

# Evitar perdas devido à competição

O importante é que o produtor entenda que as perdas podem variar de ano para ano, devido às condições climáticas, e de propriedade para propriedade, devido às variações de solo, população de plantas daninhas, sistemas de manejo (rotação de culturas, plantio direto), etc. Portanto, é necessário que o produtor de milho tenha uma estimativa das perdas que as plantas daninhas ocasionam em sua lavoura, pois ela servirá para avaliar quando e de que modo deve ser feito o controle.

# Beneficiar as condições de colheita

Os métodos de controle de plantas daninhas serão usados também para beneficiar a colheita e não apenas para evitar a competição inicial. As plantas daninhas que germinam, emergem e crescem no meio da lavoura do milho após o período crítico de competição, não acarretam perdas na produção. Entretanto, tanto a colheita manual quanto a mecânica podem ser prejudicadas. No caso da colheita manual a presença da espécie ‘Mimosa invisa Mart. Ex Colla’, popularmente conhecida como malistra ou dormideira, pode provocar ferimentos nas mãos dos trabalhadores. A colheita mecânica quando realizada em lavouras com alta infestação de corda-de-viola (Ipomoea sp.) e trapoeraba (Commelinna sp.) pode ser inviabilizada, pois a máquina não consegue operar devido ao embuchamento dos componentes da plataforma de corte.

# Evitar o aumento da infestação

O terceiro objetivo do manejo integrado de plantas daninhas está ligado à produção sustentada. Ao terminar a colheita da safra, o produtor deve lembrar-se de que a terra é um bem de produção e deve ser conservada para as próximas safras. Se a terra é deixada em pousio, as plantas daninhas irão sementar e aumentar a infestação. O banco de sementes das plantas daninhas é o solo e, se nada for feito para evitar a produção de sementes, o número de plantas daninhas emergindo a cada ano vai aumentar significativamente, e, conseqüentemente, a produção de milho cairá, a dependência do uso de herbicidas aumentará, os custos de controle ficarão mais elevados, entre outros.

Em um sistema de produção sustentado, um dos fatores mais importantes é a manutenção da população de plantas daninhas em baixos níveis de infestação. Para isso podem ser adotadas algumas técnicas como rotação de culturas e semeadura de plantas de cobertura e de adubação verde. Culturas de cobertura, como nabo forrageiro, aveia, ervilhaca peluda, milheto, no período de entressafra, tem grande poder de supressão na emergência e desenvolvimento das plantas daninhas. Operações de pós-colheita, como a passada de uma roçadeira ou aplicação de herbicidas para dessecação das plantas daninhas, também podem ser realizadas para que não ocorra produção de sementes e/ou outros propágulos.

# Proteger o meio ambiente

Finalmente, o último objetivo do manejo integrado está ligado diretamente ao controle químico, que no atual sistema de produção de milho é realizado quase que exclusivamente com herbicidas.

Herbicidas são substâncias químicas que apresentam diferentes características físico-químicas e, portanto, um comportamento ambiental diferenciado. Dependendo dessas características, como o coeficiente de adsorção (Kd), a constante da lei de Henry e, principalmente, a meia-vida do composto no solo, ar e água (T1/2), o herbicida usado pode ser uma fonte de contaminação do ambiente. Produtos voláteis (que se transformam em gases) poderão contaminar o ar, produtos que podem ser lixiviados (que sofrem movimentação no perfil do solo) poderão atingir o lençol de água subterrâneo e os herbicidas fortemente presos nos sedimentos poderão atingir depósitos de águas superficiais, por meio da erosão. A adoção de métodos de controle de plantas daninhas que minimizem ou dispensem o uso de herbicidas são desejáveis para tornar a atividade agrícola ambientalmente mais segura.

A capina mecânica usando cultivadores tracionados por animais ou tratores, também pode ser utilizada. As capinas devem ser realizadas nos primeiros 40 a 50 dias após a semeadura da cultura. Neste período os danos ocasionados à cultura são minimizados comparados com os possíveis danos (quebra e arranquio das plantas de milho) em capinas realizadas tardiamente. À exemplo da capina manual, o cultivo mecânico deve ser realizado superficialmente em dias quentes e secos, com o solo com pouca umidade, aprofundando-se as enxadas o suficiente para o arranquio ou corte das raízes das plantas daninhas. Quando as plantas de milho encontrarem-se de 4 a 6 folhas utilizar enxadas do tipo asa de andorinha para evitar danos no sistema radicular do milho, pois o mesmo encontra-se superficial. A produtividade deste método é de aproximadamente 0,5 a 1 dia/homem por hectare (tração animal) e 1,5 a 2,0 horas por hectare (tratorizada).

# Controle Químico

O controle químico consiste na utilização de herbicidas para o controle das plantas daninhas, sendo necessário o registro dos produtos no Ministério da Agricultura. Em algumas situações as Secretarias Estaduais de Agricultura podem proibir o uso de determinado(s) produto(s), a exemplo do Estado do Paraná. Ao se pensar em controle químico em milho, algumas considerações devem ser feitas:

1- A seletividade do herbicida para a cultura;

2- A eficiência no controle das principais espécies na área cultivada; e,

3- O efeito residual dos herbicidas para as culturas que serão implantadas em sucessão ao milho.

O uso de herbicidas, por ser uma operação de maior custo inicial, é indicado para lavouras médias e grandes, e com alto nível tecnológico onde a expectativa é de uma produtividade acima de 4.000 kg/ha. Embora seja, o método de controle mais difundido, o controle químico, se utilizado indiscriminadamente, pode vir a causar problemas de contaminação ambiental. Cuidados adicionais devem ser tomados com o descarte de embalagens, armazenamento, manuseio e aplicação dos herbicidas.

A eficiência de um herbicida está intimamente relacionada à sua aplicação, que deve ser feita de maneira uniforme e utilizando os equipamentos adequados a cada tipo de situação. Os problemas verificados na ineficiência do controle de plantas daninhas na maioria dos casos está relacionada a tecnologia de aplicação. Autores apontam que 46% dos problemas das aplicações ocorrem na calibragem do pulverizador, 5% na mistura de produtos e 12% na combinação da calibragem e da mistura de produtos. Mais de 90% dos herbicidas ainda são aplicados via trator (sistemas hidráulicos), embora a aplicação via água de irrigação tem aumentado nos últimos anos.

* Aplicação Terrestre

A calibragem do sistema de aplicação terrestre deve ser realizada preferencialmente no local da aplicação observando-se os fatores que interferem na eficiência dos herbicidas. Os equipamentos tratorizados apresentam quatro componentes básicos: tanque, regulador de pressão, bomba e bicos de aplicação, que devem ser sempre verificados, evitando defeitos ou entupimentos que possam vir a tornar a aplicação ineficiente.

* Aplicação Aérea

A principal vantagem da aplicação aérea em relação as aplicações terrestres tratorizadas ou manual é o menor tempo gasto para tratar uma mesma área. Este método é economicamente e tecnicamente viável somente em áreas extensas e planas. Aplicações aéreas apresentam alto risco de contaminação ambiental em função do alto risco de deriva, devendo portanto sempre ser acompanhada por um técnico responsável.

* Aplicação Via irrigação

A aplicação de herbicidas via água de irrigação é conhecida como herbirrigação. Embora a adoção deste método de aplicação ter aumentado nos últimos anos ainda não existem herbicidas registrados para essa modalidade. Além disso apenas alguns herbicidas possuem características favoráveis a aplicação com água de irrigação. Embora a herbirrigação apresente como vantagens a redução do custo de aplicação, o aumento da atividade herbicida, maior uniformidade de aplicação e maior compatibilidade com o sistema de plantio direto por não haver trânsito de máquinas na época de controle das plantas daninhas, a aplicação, principalmente via pivô-central pode apresentar riscos de contaminação ambiental e aumento do tempo de aplicação.

# Normas Gerais Para o Uso de Defensivos Agrícolas

Antes da aquisição de qualquer defensivo agrícola deve-se fazer uma avaliação correta do problema e da necessidade da aplicação. Não adquira nenhum defensivo agrícola sem Receituário Agronômico e verifique a data de validade, evitando comprar produtos vencidos e com embalagens danificadas. Não aplique nenhum defensivo sem estar vestindo os Equipamento de Proteção Individual (EPI) necessários. Deve-se fazer a tríplice lavagem da embalagem após seu uso. Toda embalagem vazia e inutilizada de qualquer defensivo agrícola deverá retornada aos pontos de compra (oriente-se junto ao vendedor). Cumpra as suas obrigações e exija seus direitos de consumidor.


Autores: Décio Karam e André Luiz Melhorança.
Fonrte: Agrolink

OUTRAS NOTÍCIAS